Tal título, que acabo de imaginar, levou-me, em sequência do seu vislumbre, a lembrar de uma moça escondida atrás do passado e dos Pirinéus. Uma história triste que talvez vos conte num dia como este, em que nada mais tenho a fazer e que, como tal, me lembre de o fazer e tenha, ao mesmo tempo, a paciência de o escrever.
Esta história curiosamente reporta a uma época quase coincidente com a dessa outra que atrás mencionei. Ou pelo menos de uma parte dessa época.
Melhor ainda, parte desta história sobrepõe-se a parte dessa época.
Tratou-se, pois claro, de uma situação caricata na qual me prostrei propositadamente, sem no fundo acreditar que de alguma forma viria a resultar o pretendido. Pelo menos para mim. Este tipo de fanfarrice, sempre que partia da minha parte ou em todas as vezes em que eu era interveniente, nunca caía nada para o meu lado. A força do hábito assim me marcou e, de certo modo, me deixou céptico quanto à realização de tais planos.
Apesar de assim pensar, na altura, acabou por resultar.
Talvez não estivesse à espera, talvez não acreditasse que se estivesse a passar realmente, talvez até não o quisesse de consciência ou não estivesse preparado para tal.
Mas aconteceu. Para mal ou para bem, aconteceu.
Eu e o meu querido amigo e colega dos colégios das engenharias biotermoplásticas, acabávamos de decidir sair de casa dos nossos pais e ir à aventura de morar sozinhos. Isto claro está, continuando, como qualquer bon vivant, a viver sob a alçada financeira dos papás. Apesar disso, acabavamos sempre por trabalhar aqui e ali para conseguir fazer mais esta ou aquela escapadela Europa fora.
Tendo encontrado um belissimo sítio para plantar raízes, achámos por bem que, tanto para tirar dos pobres e duridos ombros dos nossos pais, como para nos dar a nós próprios mais alguma folga monetária, deveriamos encontrar uma terceira criatura que estivesse no mesmo desespero de causa que nós, ou que simplesmente precisasse de um tecto para pernoitar. Com o passar dos anos o que se veio a verificar foi sem dúvida a segunda opção.
Signifia isto que rápidamente encontrámos tal sujeito.
No entanto, a escolha deste, embora espedita, não foi descorada de regras e critérios extremamente sóbrios e estanques.
Regra Número Um:
O sujeito deve ser do sexo feminino.
Regra Número Dois:
Para o bom relacionamento nos vários tempos de conjugação verbal, o sujeito não pode ser aos nossos olhos atraente ou alvo de qualquer tipo de cobiça amorosa ou sexual.
Regra Número Três:
O sujeito deveria demonstrar ter amizades do mesmo género que, ao contrário de si, fossem atraentes em qualquer caso.
A regra número dois teria o seu quê de imprevisibilidade, uma vez que não conhecendo o sujeito, não se poderia afirmar com absoluta certeza de que não haveria queda amorosa por qualquer uma das partes.
Apesar disso, sem saber ler nem escrever, encontramos imediatamente o que queriamos.
Moça gaiata, também ela estudante, veio a nós como um sinal divino.
Apresentou-se para conhecer o aposento que lhe era proposto na belissima companhia de duas jovens que se prefiguraram nas nossas regras.
Wednesday, September 17, 2008
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